Champagne e rosas
Eu, este século, não casei !
Calculo que estranhem o título deste humilde post...
A coisa tem uma explicação simples e lógica. Hoje especulou-se, na minha presença, quanto à curiosa rotatividade da moda.
Isto a respeito do facto de, num maravilhoso eterno retorno, se ter constatado que é, novamente, chique usar a velha meeita branca de ténis.
Pois é, meus caros congéneres divorciados homens ! Podem retirar do fundo das gavetas as vossas velhas meias turcas brancas ou, até, profusamente coloridas que colocavam, há bem mais de vinte anos, a condizer com a "triple marfel" e o sapatinho italiano de fivela porque ela, a imortal, a carismática meia branca voltou, calçada nos pés distintos da nossa mais antiga aristocracia que, ainda hoje (sabe-se lá porquê), se mantém na crista da onda no que a elegâncias respeita.
Inevitavelmente, essa séria e profunda troca de impressões fez-me divagar numa agradável "rêverie" pelos clichés de antanho e acabei por me atardar num que, se bem que muito mais antigo que eu (que também já sou provecto), me encantou sobremaneira.
Já passou bem mais de uma década sobre o início da nova era de sofisticada estética urbana que vivemos neste Portugal contemporâneo, inaugurada no fim dos oitenta/início dos noventa, em que nós, classe média, passámos a querer armar-nos em finos e a desprezar coisas tão profundamente enraizadas na nossa civilização, tais como o Festival da Eurovisão, o concurso um, dois , três, as queijadas de sintra, o farnel e o rádio a pilhas na praia, o crucifixo pendurado no espelho retrovisor do carro, a crónica feminina, o trio odemira, etc, etc, etc.
De facto, nestes últimos (quase) vinte anos, temos vindo a adoptar um visual e um estilo "cool", carros de cores metalizadas, férias fora do círculo algarve/Nazaré/Espinho/Póvoa do varzim, livros de vanguarda, comida (se se lhe pode chamar comida) de autor, desportos estranhos, bares com ar de câmara frigorífica, etc, etc.
Enfim... andam, os homens de classe média, a tentar ser uma espécie de híbrido de James Bond com Bill Gates e Bertrand Russel, e as mulheres uma miscelânea de Kate Moss, Diana de Gales e
Virgínia Woolfe.
E perguntam-se certamente as minhas amigas e amigos o que terá tudo isto a ver com a rapaziada do desquite?
É que os mencionados clichés assaltam sobretudo, e por razões óbvias, a malta divorciada, que se vê obrigada a dar ao cabedal para se fazer interessante.
Assim, vamos lá tentar lançar pistas para a cura deste mal de sofisticação moderna (e cara) e, de passagem, completar mais uma volta na grande roda da moda (que mais não é que uma engrenagem da ainda maior roda da vida).
E é aqui que entram o champagne e as rosas.
Como diria o imortal John Kennedy (e perdoem-me a ironia), eu tive um sonho !
Porém, a completa explanação da coisa fica só para o próximo post (senão fico sem tema mais dois meses) !
Deixo-vos apenas uma dica: o champagne pode ser raposeira, ou até um daqueles "astis" que proliferam na prateleira dos supermercados.
Até breve, meus caros "compagnons de route" !
